16 de junho de 2011

Ritmou

Se antes já era, foi-se outra vez.
Ritmou.




O interfone tocou e eu suspeitei que fosse você, dizendo que já estava me esperando na porta do prédio. Derreti ao atender e ouvir sua voz doce e forte. Tão forte que fez minhas pernas tremerem, só em ouvir um Olá. Celular, dinheiro, batom, agenda, chaves. Jogo tudo dentro da bolsa e saio deixando um beijo no ar para mamãe que estava como sempre: cozinhando.
Ao descer as escadas, senti minha mão transpirar enquanto segurava o corrimão. Como você ainda consegue me deixar desse jeito, mesmo depois de tanto tempo juntos? Ainda bem que você consegue. Estranho seria se fosse ao contrário.
Deixei o último degrau e caminhei até seu carro olhando para algumas crianças que brincavam no playground. Só estava tomando tempo para preparar meu coração bobo para não derreter quando visse seu sorriso. Encostado no carro, você deve ter escutado o som do meu caminhar, porque virou-se antes de eu chegar lá.
- UAU! – você exclamou, num tom mediano.
Você tinha um sorriso surpreso. Eu derreti. De novo. Eu sabia que todo meu esforço seria em vão. Era sempre assim. Baixei minha cabeça, encolhi os ombros e sorri timidamente. “Será que seu coração se derrete também ao me ver sorrir?”, pensei.
- Meu Deus! Você está incrivelmente linda. – você falou entrando no carro.
Eu sabia que me daria um beijo assim que eu entrasse no carro. Você e sua mania adorável de discrição. Você e todas as suas manias adoráveis.
E assim aconteceu.
Tomou minhas mãos e envolveu meus dedos nos seus. E eu senti o tanto de saudade que eu vinha trazendo comigo. Senti meu coração pedindo a Deus para aquilo nunca terminar. E que dor saber que isso era impossível.
Você me despertou dos meus pensamentos e sentimentos falando aquelas palavras que eu passei o mês inteiro esperando ouvir. E então eu senti a saudade começar a se dissolver. Tive medo de morrer ali, porque percebi meu coração parar por três segundos. E então você me abraçou. E foi bom, porque me trouxe o ar, mas senti aquilo de não querer que o momento nunca acabasse. É sempre assim quando estou com você: pedidos infinitos para que nunca acabe.
Pedi para meu corpo, alma e coração se recompor e perguntar para onde íamos.
- E aí, para onde vamos hoje? – falei, pegado a caixinha com sua coleção de maravilhosos CD’s.
- Opa, opa. – você tomou a caixinha delicadamente de minhas mãos. – Com licença, senhorita. Hoje quem escolhe as músicas sou eu.
Eu ri. Ele sempre deixava que eu escolhesse as músicas quando saíamos, ele sempre dizia que adorava o meu gosto musical.
Percebi que ele realmente queria fazer surpresa quando nem minha ajuda para procurar o CD pediu. Esperou o próximo semáforo e ele mesmo o fez.
- A noite hoje será assim, de surpresas? – perguntei, me referindo à pergunta do começo, que ele ainda não havia respondido.
- Você gosta? – ele selecionava a música.
- Muito.
E a música começou.
Violão bem dedilhado e com leves batidas bem ao fundo. Previ que iria chorar.
Encostei minha cabeça no banco e pelo vidro escuro do carro, observava a rua. Cada coisa lá fora parecia dançar para nós.
E eu dançaria com você ali, pelo resto da noite. Era só abrir a porta do carro e começar. Não me importaria com os outros. Mas só ouvi cada estrofezinha. Cada palavra soava e vinha pousar, como uma borboleta, em meu coração. E eu o sentia querer voar. Via as luzinhas lá fora passarem rápido, enfeitando mais a canção. Senti a lágrima se fazer e derramar-se no cantinho do olho direito. Com o peito da mão, enxuguei-a delicadamente.
Fechei os olhos e pareceu pior, porque elas começaram a cair mais facilmente.
Senti o carro parar, mas como a música continuou, permaneci de olhos fechados. Talvez fosse só mais um semáforo, pensei.
E então você limpou, delicadamente, minhas lágrimas e beijou meu rosto em seguida. Sentir seus lábios quentes me fez automaticamente te abraçar. E seu abraço também estava quente, como sempre. O beijo que te dei em seguida significou tudo o que eu queria te dizer nessa hora e não tive coragem, por isso demorou tanto. Guarda-o com você, porque não foi só o beijo, foi também meu coração.


E a música tocou: Eu já te via muito antes nos meus sonhos.
Eu procurei a vida inteira por alguém como você.

Para Bia e Filipe.

2 comentários:

Anônimo disse...

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Annie Black disse...

Gente... eu quase chorei, simplesmente perfeito!
Ai... deu um aperto no coração, lindo lindo lindo.