30 de abril de 2012

"Por que é que você veio me perder?"

E já nem sei o que vai ser de mim.. 
Tudo me diz que amar será meu fim.
Vinicius de Moraes

Desgraçou-se no mar das coisas bobas e ilusórias. Navegou por incertezas. Boiou sobre as loucuras. Suspirava por lembrar. Suspirava por não poder ter. Suspirava por suspirar. Quis correr e fugir daquilo tudo e no mesmo instante quis permanecer no mesmo lugar. Amava-o sem querer, sem saber e sem poder. De um modo nunca acreditado. Daquele amor que arrepia até os ossos. Capaz de largar coisas sólidas para agarrar-se em seu abraço. Chorava por não tê-lo por perto. E sorria por ele existir apenas. Jurava poemas e recitava um nome só. Cada canção soava com tanta ênfase que quiçá poderia curar uma vida. A dela, se houvesse razão para querer livrar-se dessa penúria.  Queria mesmo sem ter sentido. Queria-o mesmo sem ele querer. Queria mesmo que fosse só por um instante. Chegou a pintar outro alguém. Mesmo sorriso, mesma cor, mesma voz. Inútil! Não pensava em querer outro nesse mundo tão grande. Podia acreditar que parte de sua razão fora comida. Era a única explicação por vezes agir com tanta estupidez impulsiva. O perigo tornou-se irrelevante.  Até o ódio efêmero era amor. Não era possível aquilo ser real! 
De um ponto o belo, o bom, o coração flutuando. De outro, a desgraça, a incerteza e a cabeça pirando. Em um minuto quer esquecer, e nos outros para sempre lembrar. A linha tênue entre tremer de saudade ou necessidade de esquecer. Brincava de ser tudo aquilo que ele queria, mesmo sabendo que ela nunca alcançaria tal feito. Amava-o na alegria e na tristeza, na saúde ou na doença sem precisar de juramento. Não media as palavras que por vezes eram tolas e repetitivas, como essas. Só continuava a estender amor por onde estivesse. Por ele e só. 
Sabia mais do que ninguém que estava desgraçada, porque nenhuma outra pessoa podia ver a loucura que existia por dentro. Sabia que era tolice das maiores, mas sabia até onde ia sua força. E esquecer de alguém assim necessitava de uma força que ela não possuía. Era uma fraqueza doentia. Uma úlcera, um veneno. O vento levaria ou disfarçaria? O tempo curaria ou perpetuaria? 
Da esperança mais descabida, acreditava que mais dia menos dia, ele apareceria vestido de arrependimento por não tê-la amado e juraria amor eterno.

O amor próprio, de cantinho, esquecido e submerso, ecoava:
  - Coitada! Pobre coração tolo e frágil. Não há o que fazer. Está desgraçada. Apaixonou-se!

Era uma tristeza. Tanto amor e não ser consumado.

2 comentários:

Maria Fernanda disse...

"Apaixonou-se".


Adorei.
Beijinho, MF
»Palavras e Silêncio

Thaís. disse...

Difícil comentar sobre algo que a gente nunca sentiu com verdadeira intensidade, como é meu caso, mas gostei muito da descrição do texto. É bonito e intenso, demonstrou reais sentimentos. Gosto disso. E... Que a moça do relato esteja feliz estando apaixonada.
Eu volto! Escreva mais. Um beijo, @pequenatiss.