7 de março de 2013

Cigarro de insensatez



Des-co-brir.


Por entre a moldura dos olhos, versos shakespearianos.
O anoitecer feito de segredos
E madrugada de submundos – inexplorados.
As outras que não sou.
Os muitos que são eu.
Uma alma de gaveta.
A insídia de ser tua.
A cada migalha, meu abandono.
Um labirinto de ânsia
De onde sou a mendiga de cada esquina.
Meus olhos famintos.
Meu corpo seco.
O eco das juras.
Minha alma venal.
E meu coração farroupilho derramando sangue.
O gosto do fel agridoce.
A prece ribombada dos lábios distantes.
O ritual sagrado entre um corpo e outro.
O bolero da criptografia da pele.
O coração sambando nas cordas de uma guitarra.
A lacuna dos não sentidos.
As cenas do teto.
As paixões de rodapé.
A nudez entre o carpete rasgado.
O atrito dos lábios serão canções francesas.
O líquido da urgência queimando – embriagando-se.
As histórias de azulejos.
Os contornos de uma boca – minas.
O frio do corpo esquentando.
A cor púrpura da pré-morte.
As águas de março virando flores.
E os planetas, cenários de amores.
A esquizofrenia da imortalidade do desejo.
A inutilidade de algo além da alma despida.



Para então voltar desenganada
Como bandido sem salvação.

2 comentários:

Gio, Infinitivo Perpétuo. disse...

Muito bom! Tinha tempo que não lia algo seu, não imaginei que estaria perdendo tanto. Parabéns pela postagem.

Hellen Hosseini disse...

Realmente gosto da forma que escreves.... Bom vir aqui.